…era primeiro de abril, e precisei pegar o ônibus. Entrei no primeiro ônibus que me levava para minha destinação e me deparei com um grande homem negro gordo que ocupava todo o assento de deficientes, um careca esquizofrênico que cuspia no chão a cada 2 segundos, um jovem com cabelo - verde- só do lado direito da cabeça, uma mude gravida em pé, e um idoso que resmungava.
Sentei em um dos assentos distantes desse pessoal, e fiquei concentrado em meu celular. Foi então que o ônibus parou num cruzamento, buzinas variadas começavam a tocar, e o cobrador levantou e disse:
“Lamento dizer isso, mas vamos todos para o inferno”
O negão forte que estava sentado naquele banco levantou como quem ia matar alguém, olhou pra trás, pra mim, começou a sorrir um sorriso de canto sensual, e disse:
“SUPAPO!”
Tirou de seu bolso grande um saquinho de confetes e o estourou para cima enquanto gritava feliz saltando no ônibus. O cara que cuspia levantou ao mesmo momento e começou a dançar uma música invisível. A grávida começou a parir seu filho ali mesmo, mas sorria. O jovem de cabelo lateral retirou dois objetos de suas calças, um deles começou a tocar um dance, e o outro o fez raspar o resto do cabelo. O idoso começou a sorrir e sua dentadura caiu, mas isso nao foi problema pois ele começou a pular enquanto rodava a bengala freneticamente.
Eu, obviamente, pulei, tirei minha bermuda e comecei a bater no vidro com as mãos sorrindo e gritando “SUPAPO, SUPAPO, SUPAPO!”.
O cobrador começou a tirar a roupa e se dirigir à porta enquanto eu via todos na rua saindo de seus carros sorrindo e pulando. Um deles começou a voar.
Consegui ver o cobrador correr nu pela rua e o bebê que tinha acabado de nascer sair andando balançando os braços pra cima.
Foi o melhor dia da minha vida.